quinta-feira, 25 de setembro de 2014

VISEIRAS GREGAS


O jovem de apenas 16 anos, rapidamente transpôs a elegante multidão. Chegando ao enorme portão de entrada, foi barrado pela guarda que organizava o festival. Sem entender o que ocorria, contornou a plataforma inferior e foi galgando os jardins, na busca de um posto de onde tivesse uma visão de conjunto e pudesse entender o que se passava.
Deslumbrado pela novidade, nunca havia visto tanto povo reunido, como era ágil, esgueirou-se entre plantas, monumentos e muros e viu-se no alto da Acrópole ateniense. Empoleirou-se nos braços estendidos de uma gigantesca estátua de Dionísio. Dali, despercebido, podia contemplar a grandiosidade do imenso teatro de Atenas.
Àquela hora do fim de tarde, o sombra da montanha cobria confortavelmente as arquibancadas todas. Pode presenciar as filas de casais e jovens ricamente trajados, como jamais presenciara em toda sua breve existência, irem elegantemente ocupando seus lugares.
De repente, ecoa nas dobras da montanha um poderoso som que lhe provoca certo pavor. Um pano enorme, como jamais tinha visto igual, sobe lentamente deixando ver um ponto mais elevado e uma estranha personagem, de longas vestes, com uma estranha máscara cobrindo-lhe as faces.Essa máscara ampliava o alcance do falante.
TEATRO DE ATENAS

Todos levantam e batem juntamente as mãos. Em seguida, uma fala de voz poderosa envolve o silêncio de todos. Nada entendia das primeiras palavras... Aos poucos, foi catando uma palavra aqui outra acolá... quando tudo acabou... apenas uma minúscula história martelava sua mente... um homem havia assassinado o próprio pai... os deuses exigiam um castigo...

Quando retornou para o subúrbio onde vivia, Acrísio, jovem grego da época de Péricles,  não esquecia a tal história... também ele tinha um pai cruel... não fora necessário executá-lo... os deuses já haviam feito justiça há um ano... Assim, podia caminhar sem culpa... Podia? Amaldiçoara-o por tantas surras... Jamais havia levantado a mão contra ele... por falta de coragem... porém, muitas vezes desejara fazê-lo... Pedira inúmeras vezes a Ares que o punisse... Teria o deus posto em sua conta esse crime? E, como criminoso... um forte remorso roendo-lhe as entranhas... contorcia-se no leito desconfortável...